Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

poesia “fora de horas”

mas, para mim, com corpo e alma que é isso que conta.

 todos os direitos reservados à autora violeta teixeira

toco-me, logo existo.
é, por isso, que, quando
a solidão lavra
a acta da desistência,
ainda aperto com força
inusitada
as minhas próprias mãos,
e lanço, em redor
dos dedos um olhar
seco e surpreso.
mas, ao desapertar, depois,
as mãos, dentro
de cada cova arroxeada,
em rigor não há nada,
salvo uma voz cósmica,
elegíaca e fria,
ecoando
nas veias do poema.

violeta teixeira, in falo-vos do silêncio, magno edições, leiria 1999

publicado por diariodeumamulhermadura às 02:53

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